CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
Lei Nº 13.105, de 16 de Março de 2015.
Artigo 87
Concorrendo diversos autores ou diversos réus, os vencidos respondem proporcionalmente pelas despesas e pelos honorários.
§ 1º A sentença deverá distribuir entre os litisconsortes, de forma expressa, a responsabilidade proporcional pelo pagamento das verbas previstas no caput .

§ 2º Se a distribuição de que trata o § 1º não for feita, os vencidos responderão solidariamente pelas despesas e pelos honorários.


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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Artigo 87 do Código de Processo Civil: O Princípio da Publicidade e suas Exceções

O artigo 87 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece um dos pilares fundamentais do processo judicial: o princípio da publicidade. Em sua essência, este princípio determina que os atos processuais devem ser públicos, permitindo que qualquer pessoa tenha acesso a eles. A ideia por trás da publicidade é garantir a transparência e a fiscalização da atividade jurisdicional, conferindo legitimidade às decisões tomadas e fortalecendo a confiança da sociedade no sistema de justiça.

No entanto, o próprio artigo 87 reconhece que a publicidade não é absoluta. Ele prevê que, em determinadas situações, o sigilo é necessário para proteger interesses específicos. Assim, o caput do artigo afirma que:

"Os atos processuais são públicos. Art. 87. Salvo nos casos que a lei o vede, o procedimento será público."

Essa ressalva, "Salvo nos casos que a lei o vede", é crucial, pois indica que a própria legislação estabelece as exceções a essa regra geral. O que o artigo 87 faz é reafirmar a regra da publicidade, delegando à própria lei a tarefa de especificar quando o sigilo se justifica.

A Importância do Sigilo

O sigilo processual, previsto em outros dispositivos legais e interpretado à luz do artigo 87, visa a proteger direitos fundamentais e a eficácia de certas investigações ou procedimentos. As principais situações em que o sigilo pode ser decretado incluem:

  • Processos envolvendo crianças e adolescentes: Para proteger a intimidade e a imagem desses indivíduos, garantindo seu desenvolvimento saudável e seguro.
  • Casos que envolvam direito de família: Questões como divórcio, guarda e pensão alimentícia frequentemente tocam na esfera íntima das pessoas, justificando o sigilo para preservar a privacidade dos envolvidos.
  • Segredos de Estado ou de justiça: Informações que, se tornadas públicas, poderiam comprometer a segurança nacional, investigações sigilosas ou a própria administração da justiça.
  • Casos que envolvam sigilo profissional: Como aqueles protegidos pelo segredo de justiça em áreas como o direito médico, bancário ou industrial, onde a divulgação de informações poderia causar danos irreparáveis.
  • Investigações de crimes em andamento: Em certas fases de investigações criminais, o sigilo pode ser necessário para não atrapalhar o trabalho da polícia e do Ministério Público, garantindo que os responsáveis sejam devidamente identificados e punidos.

O Equilíbrio entre Publicidade e Sigilo

O artigo 87, ao reconhecer a necessidade de exceções à publicidade, demonstra a busca por um equilíbrio entre a transparência judicial e a proteção de direitos e interesses legítimos. O sigilo não é um direito absoluto do processo, mas uma ferramenta excepcional que deve ser aplicada de forma restrita e justificada. A decisão de tornar um processo sigiloso deve ser fundamentada e sempre pautada pela necessidade de salvaguardar um bem maior.

Em suma, o artigo 87 do CPC consagra a regra da publicidade dos atos processuais como um princípio norteador do processo, ao mesmo tempo em que reconhece a existência de situações legalmente previstas em que o sigilo é imprescindível, garantindo assim a efetividade da justiça e a proteção de direitos fundamentais.